Todo dia é uma conquista. E a conquista é o que motiva. Não falo aqui de prêmios, desses que a gente coloca na prateleira para empoeirar - que também são muito válidos, por sinal, como símbolo dessa ‘conquista’ para quem não vê além do que se vê - falo das almas que a gente pesca por aí.

O barco varou toda e qualquer tempestade até aqui, e o vento nos brinda, estufando as velas que apontam pro horizonte - aquele, infinito. Cada música é uma rede que a gente joga, cada show é uma tarrafa que a gente arremessa. A diferença é que, aqui, sobem no barco as almas que conseguem escutar no nosso canto aquilo que sempre sentiram, mas não conseguiram musicar.

E a música é (ou deveria ser) mais do que texto, mais do que acordes e melodias. Mais do que o disco que a gente ouve e enjoa. E, sem dúvidas, mais do que a rima boba e volátil que evapora junto com o verde das folhas das árvores. Como um eco sem fim, a música que pesca a nossa alma é aquela que faz ressonar no peito a verdade que escondíamos de nós mesmos e nos joga no colo a necessidade de fazer algo a respeito do que sentimos.

Se tudo que eu escrevi nesses últimos 13 anos - quase metade da minha vida - tivesse ficado aqui dentro, comigo, meu barco seria facilmente encontrado coberto de corais, há muito tempo naufragado. As almas que pesquei com música é que nos fazem mais poderosos que as ondas, mais fortes que as correntes, e - por que não - maiores que as muralhas.

É cantando que a gente espanta o silêncio. É curando o outro que a gente espanta a morte. É fazendo sorrir que a gente entende que a tristeza vai passar. É botando mais pessoas (e suas almas) dentro do barco, que a gente não afunda.

É todo dia um ano novo. É toda hora o momento certo de começar algo em que a gente acredita.

― Lucas silveira (via fresno-dentro-de-ti)

Dec 04 18:02 with 39 notes
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